sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Inquirições.

Foi este Papa cuja eleição em 1534 se celebra no dia de hoje que concedeu a Inquisição a Portugal, no âmbito da Reforma Católica.

Não teço comentários, mas gostaria de saber o que pensam os meus leitores acerca da relação entre a Inquisição e a História Nacional.

Terá o Tribunal do Santo Ofício tido alguma coisa a ver com a perda da Independência, em 1580? Será que a sua influência alterou radicalmente a nossa História? Terá o Index sido terrivelmente prejudicial aos pensadores, com a sua censura?

Ou será que foi graças à Inquisição que Portugal ainda é hoje um país católico? E que pela sua acção a burguesia foi disciplinada e conseguimos adiar o liberalismo indefinidamente?

Reflitamos.

10 Comments:

At 13/10/06 20:51, Blogger Santos R. Queiroz said...

Caríssimo Menestrel:

Em Portugal, é mínimo o efeito persecutório a indivíduos que não judeus ou cristãos-novos, mesmo assim mais comedido que o correspondente espanhol.

Podemos talvez atribuir à Inquisição um isolamento forte das ideias europeias da época, pelos "intrumentos" que eram o Index e o sistema de ensino (dominado pela Ordem de Jesus).
Mas, se repararmos bem, Portugal não foi nunca um país dependente da Europa. Durante a própria dependência de Espanha, com a Inquisição no seu auge socio-político, continuaram a haver actos de renovação e inovação portuguesa, com Pedro Nunes, António Vieira, Fernão Mendes Pinto...

Assim, perdemos em progresso económico o que ganhámos em Identidade e auto-suficiência cultural.

Pode-se atribuir ao Catolicismo de D. Manuel (ao fazer ordenar D. Henrique cardeal ainda em tenra idade) a perda da Independência, tal como o podemos fazer com a ambição desmedida de D. Sebastião, mas não podemos com a acção da Inquisição.

A Burguesia foi disciplinada à medida que a influência judaica foi reduzida, em grande parte.

O nosso Catolicismo parte do próprio Povo Português e do seu sentir, embora tenha sido "ajudado" pela Inquisição.

Creio ter-lhe exposto o meu ponto de vista, mas ainda há muito a dizer sobre a Inquisição Portuguesa.

Saudações.

 
At 13/10/06 21:38, Anonymous rosenberg said...

Seja bem-vindo de novo! Grande bomba, essa da Inquisição. questão delicada mas essencial. Sempre fizeram os capitalistas baixar a garimpa, pelo menos, até ao Pombal.

Saudações.

 
At 15/10/06 11:05, Anonymous monárquicoaserio said...

A Santa Inquisição, a Santa Inquisição...

 
At 17/10/06 14:00, Blogger Simão dos Reis Agostinho said...

A Santa Inquisição, instituição mal interpretada e mal vivida, degenerou em tanta coisa má. Tivesse sempre sido aquilo a que originalmente se propôs, e mehores memórias teria deixado.

Saudações monárquicas

 
At 19/10/06 11:44, Anonymous Carlos Portugal said...

Estou perfeitamente de acordo com o Caro Simão Agostinho. Além disso, repare-se que Portugal tinha, desde Sta. Isabel, uma Igreja muito peculiar, a Igreja de Portugal, ligada aos ritos do Divino Paracleto, dos quais ainda restam os Impérios dos Açores. Uma Igreja - felizmente - nada de acordo com os cânones de Roma.

Assim, a Inquisição em Portugal teve um papel talvez castrante e destruidor no que respeita à luz única da Igreja de Portugal.

Quanto a ter metido um pouco a burguesia na ordem, tenho certas dúvidas, pois ela (Inquisição) entra no reinado de D. João III, com a burguesia no auge. Esta (a não judaica) em breve ir-se-ia mostrar mui católica, numa colagem sempre sabuja aos novos poderes (é bom para o negócio).

D. Sebastião - sobre quem haverá sempre muito a dizer - publicou extensas leis que se mostraram mais eficazes que a Inquisição no refrear do domínio do lucro no Reino de Portugal. E, apesar da inicial influência dos Câmaras e das pressões de seu tio-avô D. Henrique, Inquisidor-mor, não se mostrava muito dado a permitir excessos à Inquisição. Um Rei com pulso, muito longe da imagem do jovem frágil e tonto que nos querem fazer engolir.

E um pormenor, para o Caro Santos Queirós: o grande matemático Pedro Nunes - professor de D. Sebastião - faleceu a 11 de Agosto de 1578, portanto muito antes do sinistro domínio filipino. Quanto ao padre António Vieira, de acordo, e Fernão Mendes Pinto morreu no Pragal (Almada) em 1583, não tendo a sua obra (a Peregrinação) sido publicada senão em 1614, fortemente adulterada e censurada.

Um abraço a todos e saudações monárquicas

 
At 19/10/06 20:35, Blogger Menestrel said...

Muito me aprouve ler todos os comentários, uns mais científicos que outros.

Saudações a todos!

 
At 20/10/06 20:50, Blogger Sardoal said...

Esta questão da inquisição tem dado lugar ás mais pândegas revisões da História pelo politicamente correcto.
Portanto não houve Dominicanos nem Franciscanos,mas apenas "maus"sinistros e "bons"cândidos.
No simplismo bacoco da contemporâneiedade,os "maus"-a Inquisição,que aparece indistintamente nos filmes Americanos na Alta e na Baixa Idade Média e até na pré-história(!!)-dedica-se a queimar e torturar para repúdio do "bom povo" oprimido.
Não haverá mais Inquisição para nos livrar destes imbecis?

 
At 27/10/06 09:35, Anonymous Miguel said...

Perfeitamente de acordo. A Santa Inquisição foi um dos instrumentos mais eficazes no isolamento e atraso e que o País padece até hoje.
Dizia o dr. Salazar em 1912 que o máximo a que o português aspirava era a um bom e calmo emprego à conta do Estado, e tinha toda a razão. E à Inquisição se deve, em grande parte, esse estiolar da iniciativa portuguesa.

 
At 27/10/06 21:31, Blogger Menestrel said...

Caro Sardoal: o seu comentário é um hino à coerência sapiente.

Caro Miguel: a questão positiva ou negativa da Santa Inquisição era precisamente o que eu pretendia que fosse abordado.

A todos sugiro a visita a este espaço:
http://www.exsurgedomini.hpg.ig.com.br/apologeticas/inquisicao/textosinquisicao/santainquisicaoaverdadeirahistoria.htm

Apreciem!
Saudações.

 
At 9/11/06 12:49, Blogger Santos R. Queiroz said...

Caro sr. Carlos Portugal: acabou por me dar razão com o caso de Fernão Mendes Pinto. Não sei se se dedica ao estudo das obras desta época, mas até os Lusíadas foram alterados à segunda edição (a do Pelicano Voltado).

Há-de concordar que as ideias de Pedro Nunes não foram esquecidas, mas antes "disseminadas" durante o Domínio Filipino. Preste bem atenção às datas e veja que na altura não tínhamos o privilégio da Internet.
No entanto, do ponto de vista do rigor matemático, tem toda a razão e peço-lhe perdão pela falta de precisão nos exemplos que dei.

Cumprimentos a todos.

 

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